O mercado financeiro brasileiro elevou nesta segunda-feira (30) a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação no país, de 4,17% para 4,31% em 2024, conforme revelado pelo Boletim Focus do Banco Central.
Este levantamento, divulgado semanalmente pelo Banco Central (BC), reúne as expectativas de diversas instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos. A revisão para cima na estimativa da inflação marca a terceira semana consecutiva de alta, influenciada, entre outros fatores, pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Apesar da elevação, a nova projeção para o IPCA em 2024 ainda se mantém dentro do limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o intervalo aceitável para a inflação varia entre 1,5% e 4,5%.
No mês de fevereiro, a inflação oficial registrou 0,7%, impulsionada principalmente pelos setores de transportes e educação, representando uma aceleração em relação aos 0,33% observados em janeiro. Contudo, o acumulado dos últimos 12 meses recuou para 3,81%, atingindo um patamar abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
As projeções para os anos seguintes também sofreram ajustes. Para 2027, a estimativa de inflação subiu de 3,8% para 3,84%. Para 2028 e 2029, as expectativas do mercado financeiro são de 3,57% e 3,5%, respectivamente.
Taxa Selic
Para controlar a inflação e atingir suas metas, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, como seu principal instrumento. Atualmente, a Selic está fixada em 14,75% ao ano, conforme decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).
Na reunião da semana passada, o Copom, por unanimidade, decidiu reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual. Antes da intensificação do conflito no Irã, a expectativa predominante era de um corte mais expressivo, de 0,5 ponto.
Historicamente, a Selic chegou a 15% ao ano, o patamar mais alto desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes consecutivas, permanecendo inalterada nas quatro reuniões seguintes.
Após um período prolongado de manutenção, havia sinais de um novo ciclo de redução. No entanto, as incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio podem levar o BC a reavaliar esse ciclo de baixa, caso necessário. O próximo encontro do Copom para definir a Selic ocorrerá em abril.
Para o fim de 2026, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica de juros permaneceu em 12,5% ao ano. As projeções indicam que a Selic deve ser reduzida para 10,5% ao ano em 2027, 10% ao ano em 2028 e alcançar 9,75% ao ano em 2029.
Quando o Copom eleva a Selic, o objetivo é frear uma demanda aquecida, o que impacta os preços. Juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança, podendo, no entanto, dificultar a expansão econômica. Já a redução da Selic tende a baratear o crédito, estimulando a produção e o consumo, o que pode aquecer a economia, mas exige controle para não elevar a inflação.
PIB e Câmbio
A edição mais recente do Boletim Focus também trouxe ajustes nas projeções para o crescimento da economia brasileira. A estimativa das instituições financeiras para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, passou de 1,84% para 1,85% este ano.
Para 2027, a projeção para o PIB se manteve em 1,8%. Já para os anos de 2028 e 2029, o mercado financeiro prevê uma expansão econômica de 2% em ambos os períodos. Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com destaque para o desempenho da agropecuária e a expansão em todos os setores.



