Brasília (DF) – O recuo nos preços dos alimentos no mês de julho contribuiu para que o índice oficial de inflação do país registrasse desaceleração pelo quarto mês consecutivo, fechando o período com taxa de 0,07%. Com essa variação, o indicador acumulado nos últimos 12 meses recuou para 4,44%, recolocando o custo de vida dos brasileiros dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo governo federal.
A taxa registrada em julho converge com a projeção das principais instituições financeiras consultadas pela autoridade monetária, que também estimavam um índice de 0,07% para o período. A trajetória recente dos preços mostra uma desaceleração contínua desde o início do ano, quando o indicador mensal marcou 0,33% em janeiro, subindo para 0,70% em fevereiro, 0,88% em março, e iniciando a trajetória de queda em abril com 0,67%, seguido por 0,58% em maio e 0,16% em junho.
Enquadramento nas metas fiscais
Com o acumulado de 12 meses situado em 4,44%, o país volta a cumprir a meta inflacionária, que é de 3% ao ano, com limite máximo de flutuação de até 4,5%. O índice havia rompido esse teto nos meses de maio e junho, quando atingiu 4,72% e 4,64%, respectivamente, após ter registrado 4,39% em abril.
Pelas regras de política monetária adotadas desde o ano passado, a avaliação da meta ocorre de forma contínua com base nos 12 meses imediatamente anteriores. O descumprimento formal das obrigações só é configurado se o indicador de preços permanecer fora da margem de tolerância permitida por seis meses seguidos.
Desempenho por setores e produtos
O resultado mensal representa a menor variação registrada para um mês de julho desde 2022, quando houve deflação de 0,68%. O comportamento geral mostra que exatamente metade dos 377 produtos e serviços monitorados mensalmente apresentou alta de preço em julho, resultando em um índice de difusão de 50%.
Entre os segmentos pesquisados nas principais regiões metropolitanas e capitais do país, o grupo de alimentação e bebidas registrou queda de 0,67%, exercendo um impacto negativo de 0,14 ponto percentual no índice geral. O setor de vestuário também apresentou retração, com queda de 0,66%.
Em contrapartida, o segmento de habitação exerceu a maior pressão de alta no mês, com elevação de 0,99% e impacto positivo de 0,15 ponto percentual. As despesas pessoais subiram 0,22%, enquanto os custos com transportes e artigos de residência variaram de forma contida, registrando altas de 0,05% e 0,07%, respectivamente.

