Oiapoque (AP) – A Petrobras confirmou nesta segunda-feira (17) a descoberta de petróleo no poço Morpho, situado no bloco BM-FZA-59. O local está inserido na região da Margem Equatorial, em águas profundas situadas a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e a 500 quilômetros da Foz do Amazonas.
A fase atual de perfuração já atingiu 3 mil metros de lâmina d’água e outros 3 mil metros de profundidade em rocha. A previsão técnica é de que os trabalhos de perfuração sejam concluídos em um prazo de 15 a 20 dias, período após o qual será possível realizar estudos mais detalhados sobre o volume e a qualidade do óleo.
Investimentos e etapas futuras
Desde o início da atual campanha exploratória, em agosto de 2023, a Petrobras aportou US$ 3 bilhões na região. A operação diária no poço Morpho demanda um custo operacional estimado em US$ 1 milhão por dia. A companhia detém a totalidade da participação no bloco, que foi arrematado em 2013, durante a 11ª Rodada de Licitações da ANP.
A presidente da estatal, Magda Chambriard, ressaltou que a confirmação da presença de petróleo atende às expectativas iniciais sobre o potencial geológico da área. No entanto, ela ponderou que a descoberta atual não garante, de forma automática, a viabilidade comercial. Para avançar, a empresa precisará concluir a perfuração e realizar análises técnicas para verificar se a produção será econômica no longo prazo.
Como parte de sua estratégia para recompor as reservas de petróleo do país, a Petrobras já encaminhou ao IBAMA solicitações de licenciamento ambiental para realizar novas perfurações em outras áreas da Margem Equatorial. A estatal planeja manter o ritmo de atividades no setor nos próximos meses.
Transição energética e foco governamental
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou o anúncio durante visita ao Oiapoque. O chefe do Executivo enfatizou que a busca por novas reservas de óleo não representa um retrocesso na agenda de sustentabilidade brasileira. Segundo ele, o país pretende conciliar a exploração de petróleo com o fortalecimento de investimentos em biocombustíveis.
O governo defende que o Brasil seguirá focando em inovações para fontes renováveis de energia, mantendo a transição energética como um pilar central da política econômica nacional, enquanto avalia os resultados obtidos com os novos poços exploratórios nas águas profundas do norte do país.

