Brasília (DF) – O Ministério da Fazenda avalia ajustes técnicos no programa Move Brasil para elevar o interesse de instituições financeiras privadas na concessão de crédito a motoristas de aplicativo e taxistas. Em vigor desde 27 de julho, a iniciativa oferece juros reduzidos para a compra de carros novos de até R$ 150 mil, seminovos, motos e bicicletas, mas tem registrado uma participação majoritária apenas de bancos públicos, como o Banco do Brasil e a Caixa.
Aprimoramento de dados e adesão
O ministro Dario Durigan afirmou que a equipe econômica busca compreender por que as instituições privadas mantêm baixo apetite pelo programa, mesmo com as garantias estatais oferecidas. Entre as estratégias em estudo, está a melhoria na integração dos sistemas bancários com as plataformas de transporte. A intenção é facilitar o acesso aos dados de renda dos trabalhadores, o que poderia tornar o processo de concessão de crédito mais eficiente e atrativo para o mercado privado.
Embora o volume de financiamentos não tenha alcançado as projeções iniciais da gestão, a Fazenda considera o resultado atual satisfatório e trabalha para aprimorar as condições contratuais. Além do Move Brasil, o governo realizou um balanço sobre outros programas de crédito recentemente lançados, que incluem linhas para caminhões e ônibus, o Programa Desenrola e medidas de suporte a empresas e trabalhadores.
Reciprocidade comercial com os EUA
Durante a mesma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a equipe ministerial debateu a estratégia brasileira diante das tarifas de 37,5% impostas pelos Estados Unidos a produtos nacionais. O governo iniciou o rito previsto pela Lei 15.122/2025, a chamada Lei da Reciprocidade Econômica, para avaliar possíveis respostas do país a ações unilaterais que prejudiquem as exportações locais.
Apesar da abertura do processo, Durigan enfatizou que a medida não implica a imposição imediata de sobretaxas. A fase atual foca em consultas diplomáticas e na análise de impactos setoriais. O ministro reiterou que o governo mantém a disposição para negociações com Washington e acredita que o mecanismo de reciprocidade pode servir como instrumento de ponderação nas tratativas diplomáticas.
Como parte do programa Brasil Soberano, o Poder Executivo também analisa o suporte aos setores impactados pelas barreiras tarifárias norte-americanas. Uma das alternativas em avaliação é a extensão do regime de drawback, que permite a suspensão ou redução de tributos sobre insumos essenciais para a produção de bens exportáveis. O governo reforça que qualquer ação será tomada com cautela e após diálogo com os segmentos econômicos afetados.

