Brasília (DF) – O Tesouro Nacional comercializou R$ 11,67 bilhões em títulos públicos para pessoas físicas ao longo de julho, alcançando o maior volume financeiro já registrado para este mês desde o início do programa. O resultado representa uma alta de 60,65% na comparação com o mesmo período do ano anterior, consolidando o mês como o terceiro melhor desempenho de 2024, atrás apenas de março, quando as vendas atingiram R$ 14,79 bilhões.
Perfil dos investimentos
A principal motivação dos aplicadores continua sendo a trajetória da taxa básica de juros, a Selic. Títulos vinculados a esse índice representaram 51,2% do total de vendas. Destaque para o Tesouro Reserva, recém-lançado com o objetivo de oferecer liquidez diária similar às contas de bancos digitais, que captou R$ 1,79 bilhão, correspondendo a 15,3% da fatia mensal. Os papéis atrelados ao IPCA, voltados à proteção contra a inflação, somaram 27,1% das aquisições.
Apesar da diversificação, títulos específicos para objetivos de longo prazo, como o Tesouro Renda+ e o Tesouro Educa+, registraram participações mais modestas, com 4,3% e 1,9%, respectivamente. A preferência do mercado concentrou-se em prazos médios, com 43,4% das operações direcionadas para vencimentos de até cinco anos.
Crescimento da base de investidores
O estoque total do programa encerrou julho em R$ 272,26 bilhões, um salto de 46,58% em relação aos R$ 185,74 bilhões verificados em julho do ano passado. Esse montante é fruto tanto da correção de juros quanto da diferença positiva entre as vendas e os resgates, que somou R$ 7,37 bilhões apenas no último mês.
O programa segue atraindo o pequeno investidor, com 78,4% do total de 1.444.518 operações realizadas tendo valores de até R$ 5 mil. As aplicações de até R$ 1 mil, sozinhas, compuseram 55,5% do total de transações. O volume de participantes ativos, aqueles que mantêm investimentos em aberto, atingiu 3.808.491, um crescimento de 22,89% nos últimos doze meses.
Mecanismo de captação
O Tesouro Direto funciona como um canal direto de financiamento para o governo federal, que utiliza o capital para gerenciar dívidas e honrar obrigações. Ao adquirir esses papéis, o cidadão empresta recursos ao Tesouro Nacional em troca de rendimentos corrigidos pela Selic, inflação ou taxas prefixadas. Criado em 2002 para democratizar o acesso aos títulos públicos, o programa elimina a necessidade de intermediação financeira, cobrando apenas uma taxa operacional paga à B3.

