Rio de Janeiro (RJ) – O estado do Rio de Janeiro soma 12,8 milhões de eleitores, dos quais 2,1 milhões residem em favelas, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. Em um cenário de desigualdade no acesso a serviços básicos e urbanização, moradores dessas regiões apontam educação, cultura e transporte como pautas fundamentais para o próximo pleito. A ausência de uma presença efetiva do Estado nesses territórios impulsiona a busca por candidatos que proponham soluções estruturais em vez de apenas discursos de confronto.
Desafios na mobilidade e emprego
Para a juventude das periferias, a falta de linhas de transporte coletivo que conectem as zonas periféricas às demais regiões da capital dificulta o acesso ao lazer e a oportunidades de trabalho. Estudantes relatam que o custo elevado de deslocamento não é suprido por programas de aprendizagem, tornando inviável conciliar estudo, emprego e vida familiar. A demanda por um sistema de transporte mais eficiente e por cursos técnicos que garantam formação completa está no topo das prioridades locais.
Educação e ocupação do território
A carência de polos de ensino superior e centros culturais em bairros populosos, como Campo Grande e complexos da Zona Norte, é apontada como um entrave ao desenvolvimento social. Moradores defendem que a ocupação dos espaços públicos pelo Poder Público deveria focar em infraestrutura escolar, creches inclusivas e projetos esportivos. Essa abordagem é vista como o caminho ideal para oferecer alternativas à criminalidade, contrastando com promessas de campanha centradas no endurecimento penal ou no aumento da violência policial.
Segurança e direitos humanos
A segurança pública, historicamente pautada por operações policiais que interrompem o funcionamento de escolas e serviços, é alvo de críticas por parte de lideranças comunitárias. Especialistas destacam que a população clama por políticas inteligentes de enfrentamento aos grupos armados, sem que isso implique em riscos diários à vida de inocentes. Questões como o racismo institucional e o acesso precário a serviços de saúde, incluindo o combate a falhas no atendimento obstétrico, surgem como temas vitais que muitas campanhas ainda tratam de forma superficial.
Articulação política e o papel do Estado
A pesquisadora Eblin Farage, da UFRJ, avalia que o eleitorado das favelas busca estabelecer diálogos mais próximos com o Legislativo devido à falha histórica de políticas de segurança no Executivo. Existe, contudo, um alerta sobre o clientelismo praticado por organizações mantidas por grupos políticos, que fragilizam a mobilização por direitos ao criar relações de dependência. O objetivo, segundo vozes locais, é a consolidação de políticas públicas consistentes que reconheçam a diversidade dos territórios e as necessidades reais de quem vive neles.

