São Paulo (SP) – O mercado financeiro brasileiro operou sob estresse nesta segunda-feira (14), impulsionado pela cautela global e por instabilidades no cenário interno. O dólar à vista encerrou o dia cotado a R$ 5,149, registrando uma valorização de 0,49%. Durante o período da manhã, a moeda chegou a atingir o pico de R$ 5,183 antes de reduzir o fôlego à tarde, influenciada por declarações diplomáticas envolvendo o petróleo.
Cenário externo e petróleo
O principal vetor de instabilidade foi o setor de energia. O barril do tipo Brent fechou em US$ 105,68, uma alta de 1,02%, após atingir patamares próximos de 5% no início do dia, motivado por ataques a infraestruturas na Arábia Saudita e tensões no Oriente Médio. A pressão sobre a oferta global de combustíveis reacendeu preocupações inflacionárias e afetou o sentimento dos investidores em diversos países, levando o S&P 500, em Nova York, a uma retração de 0,48%.
Impacto na bolsa brasileira
O Ibovespa acompanhou o clima de aversão ao risco e fechou o pregão com queda de 0,91%, totalizando 185.500,88 pontos. O desempenho negativo foi puxado, em grande parte, pelo setor de mineração, impactado pelo recuo do minério de ferro na China. O volume financeiro movimentado no dia atingiu R$ 24,4 bilhões em um ambiente de oscilação constante entre 183.813 e 187.320 pontos.
Incertezas políticas e política monetária
Internamente, o mercado monitora de perto os desdobramentos de pesquisas eleitorais e a crise institucional no STF. O plenário da Corte deve analisar nesta terça-feira (15) questões envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, o que mantém o setor corporativo em alerta. Simultaneamente, investidores aguardam decisões cruciais sobre juros: o Federal Reserve (Fed) define a taxa nos EUA na quarta-feira (17), enquanto o mercado brasileiro segue atento ao ciclo de ajustes na Selic.
Embora o dólar tenha acumulado uma queda de 6,19% ao longo deste ano, o comportamento da moeda estadunidense frente a outras divisas fortes — representado pelo índice DXY, que subiu 0,41% — reflete a busca global por segurança. A possibilidade de negociações entre Estados Unidos e Irã ajudou a moderar o avanço dos preços do petróleo no final do dia, mas a volatilidade permanece no centro das atenções para os próximos pregões.

