Brasília (DF) – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central oficializou o corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que passa de 14% para 13,75% ao ano. A medida foi detalhada em ata divulgada nesta terça-feira, na qual o colegiado aponta que a moderação gradual da atividade econômica, observada em indicadores recentes, justificou a mudança na política monetária.
Desaceleração do PIB e demanda
Dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre confirmaram que a economia apresenta sinais de arrefecimento, especialmente nos setores que possuem maior sensibilidade ao custo do crédito. O documento ressalta que esse movimento é necessário para promover o reequilíbrio entre a oferta e a demanda, passo considerado fundamental pelo Banco Central para que a inflação retorne à meta estabelecida.
Apesar da resiliência observada no mercado de trabalho, o comitê enfatizou que o ciclo de alta nos juros tem transmitido seus efeitos de maneira consistente para a economia real. O cenário de política monetária restritiva tem contribuído diretamente para a desaceleração do crédito, freando o consumo e reduzindo a pressão sobre os preços ao consumidor final.
Inflação e expectativas
Os indicadores de inflação apresentaram recuo nos últimos meses, ficando abaixo do teto da margem de tolerância em um recorte de doze meses. Contudo, o Banco Central mantém uma postura cautelosa. As projeções de mercado, consultadas por meio da pesquisa Focus, indicam que as expectativas para 2026 e 2027 permanecem acima da meta, em 4,9% e 4,3%, respectivamente.
O colegiado justificou que, com expectativas ainda desancoradas, o país precisa sustentar patamares restritivos por um período mais longo do que o previsto anteriormente. Para os diretores, essa persistência é a única via para assegurar que a inflação convirja para o centro da meta no horizonte relevante de tempo.
Incertezas internacionais
O cenário global também ocupa lugar de destaque nas preocupações da autoridade monetária. A ata cita o aumento das incertezas causadas por tensões geopolíticas no Oriente Médio e a falta de clareza sobre o rumo dos juros nas principais economias avançadas do mundo. Fatores como a oscilação nos preços das commodities e o ritmo da economia mundial permanecem como variáveis monitoradas, podendo acelerar ou retardar o controle inflacionário.
O Banco Central reafirmou que o ajuste de 0,25 ponto percentual está alinhado com a estratégia de busca pela estabilidade de preços. O comitê assegurou que continuará analisando os dados econômicos de forma rigorosa para definir o nível de restrição necessário nos próximos encontros.
