O mercado financeiro brasileiro registrou forte volatilidade nesta quarta-feira, marcada pela expressiva valorização da moeda norte-americana e pelo recuo das ações na bolsa de valores. O movimento refletiu o cenário político interno e o aumento das tensões geopolíticas internacionais, além do avanço nos preços do petróleo.
O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,169, registrando uma valorização de 1,27%. Ao longo da sessão, a divisa chegou a atingir a máxima de R$ 5,177 nas primeiras horas da tarde, impulsionada pelo fluxo global de aversão ao risco, antes de desacelerar levemente próximo ao fechamento das operações.
No ambiente internacional, a força da moeda dos Estados Unidos foi consolidada pelo avanço do índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes globais, atingindo 101,090 pontos. O indicador de atividade industrial norte-americano (PMI) superou as expectativas ao subir para 58,4 em setembro, sinalizando a resiliência da economia do país.
A solidez dos dados econômicos nos Estados Unidos reforçou a percepção de que as taxas de juros americanas permanecerão elevadas por um período prolongado. Com isso, os rendimentos dos títulos do Tesouro de dez anos ultrapassaram a barreira de 5% ao ano pela primeira vez desde 2007, atraindo capital global para os ativos norte-americanos.
Impacto na bolsa brasileira
O principal índice da bolsa paulista, o Ibovespa, interrompeu uma sequência de duas altas consecutivas e fechou com perda de 0,86%, situando-se em 185.814 pontos. O volume financeiro movimentado na sessão somou R$ 29,68 bilhões, com as oscilações também refletindo as últimas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial no Brasil.
Apesar da retração diária provocada pela saída de capital de mercados emergentes, o indicador acionário brasileiro ainda sustenta um ganho acumulado de 4,73% no decorrer do mês de setembro. No acumulado do ano, por sua vez, o dólar comercial apresenta uma desvalorização de 5,83% frente ao real.
Mercado externo e commodities
Em Nova York, os principais indicadores de Wall Street fecharam no campo negativo, penalizados principalmente pelas empresas do setor de tecnologia, que são historicamente mais vulneráveis ao encarecimento do crédito. O índice Dow Jones recuou 0,68%, enquanto o S&P 500 registrou baixa de 0,75% e a Nasdaq encolheu 1,13%.
O mercado de commodities também exerceu pressão sobre a inflação global com a recuperação nos preços do petróleo após cinco quedas diárias seguidas. O barril de petróleo do tipo Brent encerrou cotado a US$ 98,12, com alta de 2,84%, enquanto o tipo WTI subiu 1,81%, negociado a US$ 92,16.
A alta do combustível ocorreu em meio ao travamento nas rodadas de negociação diplomática entre as autoridades norte-americanas e o governo do Irã. A possibilidade de restrições nas exportações de derivados de petróleo pelos Estados Unidos e a divulgação de um aumento inesperado nos estoques semanais do país também influenciaram o comportamento dos preços.

