Brasília (DF) – O número de eleitores com deficiência aptos a votar nas próximas eleições atingiu a marca de 1,97 milhão, conforme levantamento do TSE. O dado reflete um aumento de 42% comparado ao pleito de 2022, quando o total de inscritos era de 1,38 milhão. Entre esse público, o segmento de pessoas com deficiência visual apresenta crescimento expressivo de 49%, saltando de 214 mil para quase 320 mil cidadãos.
Para absorver essa demanda, a Justiça Eleitoral expandiu a infraestrutura de acessibilidade nas seções de votação. O país contará com 220.577 seções preparadas, um incremento de 41% em relação ao quantitativo disponibilizado há dois anos. A estratégia visa assegurar que o exercício da cidadania ocorra com independência e segurança para todos os perfis de eleitores.
Recursos tecnológicos nas urnas
As urnas eletrônicas incorporam ferramentas específicas para garantir a autonomia no momento do voto. Pessoas com deficiência visual possuem acesso a fones de ouvido descartáveis — fornecidos pela própria Justiça Eleitoral — que permitem ouvir as informações e os nomes das candidaturas. O equipamento também apresenta identificação em Braille e marcação tátil na tecla 5, que funciona como guia para a localização numérica.
De acordo com Michel Kovacs, secretário de Tecnologia da Informação do TRE-RJ, o acesso às ferramentas de áudio é universal. Embora o sistema seja ativado automaticamente para eleitores com a deficiência já registrada no cadastro eleitoral, qualquer cidadão que necessite do recurso pode solicitá-lo ao mesário no momento da votação. Além da tecnologia sonora, eleitores surdos contam com suporte de intérpretes de LIBRAS exibidos na tela da urna.
Direito a acompanhante e cão-guia
A legislação eleitoral garante preferência de voto a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, assegurando o direito de estarem acompanhadas por alguém de confiança. Esse assistente pode entrar na cabine para auxiliar no registro do voto, independentemente de solicitação prévia à Justiça Eleitoral. O procedimento apenas deve ser registrado em ata pela mesa receptora.
Outras garantias asseguram a plena participação dos cidadãos no pleito. É permitido o uso de instrumentos mecânicos para assinar o caderno de votação, seja em escrita comum ou Braille, além do ingresso e permanência de pessoas acompanhadas por cão-guia em todas as seções. Essas medidas reforçam o compromisso do sistema eleitoral em remover barreiras físicas e sensoriais, consolidando o voto como um direito acessível a todos os brasileiros.

