Brasília (DF) – O Tesouro Nacional informou que a Dívida Pública Federal (DPF) encerrou agosto em R$ 9,29 trilhões, mantendo-se estável com uma variação mínima de 0,04% em relação ao mês anterior. O saldo foi sustentado pela incorporação de R$ 88,39 bilhões em juros, montante que superou o impacto dos resgates líquidos de R$ 84,43 bilhões realizados pelo governo no período.
Composição da dívida
Um dos pontos centrais do relatório é o avanço dos papéis atrelados à taxa Selic. Essa categoria atingiu 52,74% do estoque total, o maior nível registrado na série histórica do órgão. A composição da dívida é completada por títulos indexados à inflação (23,22%), prefixados (20,31%) e cambiais (3,74%). A previsão oficial para o encerramento de 2026 situa o valor total da dívida entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
No mercado interno, a Dívida Pública Mobiliária Federal (DPMFi) apresentou leve queda de 0,05%, alcançando R$ 8,94 trilhões. Em contrapartida, a fatia externa do endividamento cresceu 2,41%, fechando agosto em R$ 348,26 bilhões. O prazo médio dos papéis subiu de 4,05 anos para 4,10 anos, indicando uma melhora na estrutura de vencimentos.
Reserva e perfil de investidores
O chamado colchão de liquidez, que reúne recursos para o pagamento de compromissos da dívida, registrou queda nominal de 11,89%, passando para R$ 1,20 trilhão. Mesmo com a redução, o Tesouro assegura que o volume atual é suficiente para cobrir cerca de 7,18 meses de vencimentos. O custo médio acumulado em 12 meses também subiu, saindo de 12,45% ao ano em julho para 12,59% em agosto.
O perfil dos credores mostrou uma maior presença de investidores estrangeiros, cuja participação no estoque da dívida interna subiu de 9,82% para 9,91%, totalizando R$ 886,3 bilhões. As instituições financeiras seguem como os principais detentores dos títulos públicos, com 31,22% do montante, seguidas por fundos de investimento, entidades de previdência e seguradoras.
Segundo o Tesouro Nacional, o cenário econômico permanece influenciado pela volatilidade internacional e pelo patamar elevado da taxa básica de juros. A expectativa do governo é que, a médio prazo, a participação de títulos de taxa flutuante diminua conforme o país avance na trajetória de superávits primários estruturais.

