São Paulo (SP) – As ações da Petrobras fecharam o pregão da B3 na última sexta-feira (2) elevando o valor de mercado da estatal ao patamar inédito de R$ 700,08 bilhões. O movimento de alta, que adicionou R$ 20,9 bilhões ao montante da companhia em um único dia, foi impulsionado pela confirmação de reservas de óleo em águas ultraprofundas na Bacia da Foz do Amazonas, situada na Margem Equatorial brasileira.
No mercado financeiro, a reação foi positiva para ambos os tipos de ativos da empresa. Os papéis preferenciais valorizaram 2,81%, ao passo que as ações ordinárias encerraram o dia com ganho de 3,25%. Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a descoberta registrada no poço denominado Morpho reforça o potencial do país em estabelecer uma nova fronteira exploratória de grandes proporções.
Projeções e desempenho financeiro
Dados da EPE indicam que o volume total recuperável na Bacia da Foz do Amazonas possui estimativa de alcançar 10 bilhões de barris de óleo equivalente. Este resultado recente se soma a outros recordes superados ao longo de 2026, consolidando uma trajetória de valorização que, de janeiro a setembro, superou o retorno proporcionado por gigantes globais do setor, como Chevron, ExxonMobil, TotalEnergies, Shell e BP.
Apesar do otimismo no mercado de capitais, a exploração na região enfrenta resistências legais. Na segunda-feira (28), o MPF reiterou um pedido ao TRF1 para a interrupção imediata das atividades de perfuração no bloco marítimo FZA-M-59. A solicitação busca a suspensão da licença ambiental concedida para a área.
Questionamentos judiciais
O argumento central da procuradoria repousa na segurança operacional da região. O MPF cita como exemplo o incidente ocorrido em janeiro deste ano, quando foram despejados 18 mil litros de fluido químico no mar durante o uso de uma sonda. Para os procuradores, o cenário de risco exige medidas cautelares rigorosas para evitar danos ambientais de maior escala.
Além das questões ambientais, o MPF aponta a falta de consulta prévia às comunidades locais como uma irregularidade persistente. O órgão defende que povos indígenas, populações quilombolas e pescadores artesanais dos estados do Amapá e do Pará devem ser ouvidos conforme estabelece a Convenção nº 169 da OIT, um direito fundamental das populações tradicionais que, segundo o entendimento jurídico, teria sido ignorado no processo de licenciamento até o momento.

