Águas Lindas de Goiás (GO) – Em Águas Lindas de Goiás, a Escola Municipal Domingos Simão de Oliveira consolidou-se como um símbolo de resistência comunitária. O que hoje funciona como um centro de ensino para 1.350 estudantes, entre níveis infantil e fundamental, foi implementado na década de 1990 sobre o antigo curral de uma fazenda, transformando o espaço que antes abrigava gado em um pilar de formação educacional.
A origem no improviso
A história da instituição começou com a iniciativa da psicopedagoga Maria do Socorro Pereira. Em 1992, ela articulou a reunião das primeiras 60 crianças de famílias rurais em estruturas improvisadas, como contêineres. A professora recorda que o processo de estruturação envolveu desde a escavação de cisternas até a busca por reconhecimento oficial. Após a emancipação do município em 1995, a unidade ganhou corpo, sendo batizada inicialmente de Ayrton Senna da Silva, nome que hoje permanece em um prédio vizinho voltado ao ensino médio.
Impacto na comunidade
Para muitos moradores que frequentam a escola em dias de eleição, a unidade representa a superação de barreiras sociais. Pedro Pereira, um porteiro de 56 anos que interrompeu os estudos precocemente para trabalhar na roça, é um dos que veem na escola um reflexo de sua trajetória. Ele, que migrou de Campo Maior (PI) para o Centro-Oeste vendendo uma cabra para custear a passagem, orgulha-se de ter incentivado os seis filhos a concluírem os estudos. Histórias como a dele cruzam-se com a de profissionais como o advogado Adenilson dos Santos Filho, que cursou o ensino superior via PROUNI e reforça o valor da instituição em sua formação intelectual e cidadã.
Transmissão de gerações
O fluxo de eleitores na escola durante o pleito revela a continuidade desse legado. Pais que foram alunos da rede municipal agora levam seus filhos ao mesmo ambiente, alimentando expectativas de melhoria nas condições de vida e no acesso ao ensino de qualidade. A camareira Géssica Matos, que estudou na unidade, destaca o vínculo emocional que os moradores mantêm com o local. A diretora Zélia Vaz observa que o papel social da escola transcende o calendário letivo, atendendo famílias em situação de vulnerabilidade e acompanhando o desenvolvimento dos estudantes até a vida adulta.
Referência local
A trajetória da escola é vista pela comunidade como resultado de uma insistência coletiva. Profissionais que hoje atuam na rede, como a monitora Lídia da Conceição, destacam a alegria de retornar ao espaço onde foram alfabetizados. A unidade permanece como um ponto de encontro, onde o exercício do voto se soma ao reconhecimento do papel da escola na transformação de uma área rural em um centro de desenvolvimento educacional consolidado.

