Brasília (DF) – O Brasil alcançou um superávit comercial de US$ 7,74 bilhões em setembro de 2026, montante que representa mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior, quando o saldo foi de US$ 3,14 bilhões. De acordo com dados do MDIC, o resultado foi o segundo melhor desempenho da série histórica para meses de setembro, ficando atrás apenas do recorde de 2023, que atingiu US$ 9,18 bilhões.
Dinâmica das exportações e importações
O avanço de 12,9% nas exportações, que totalizaram US$ 34,42 bilhões, foi o principal motor para o saldo positivo. Em contrapartida, as importações tiveram um leve recuo de 2,4%, somando US$ 26,68 bilhões. A corrente de comércio chegou a US$ 61,09 bilhões, configurando o maior volume já registrado para um mês de setembro na série estatística.
O setor extrativo liderou as vendas externas, com destaque para a alta expressiva nas exportações de petróleo bruto, que subiram 77,3%. O cenário geopolítico no Oriente Médio influenciou diretamente esse resultado, elevando os preços médios da commodity em 24,7%. A indústria de transformação e o agronegócio também contribuíram positivamente, com crescimento de 5,3% e 4,8% respectivamente.
Cenário regional e investimentos
Apesar de tensões comerciais, as exportações para os Estados Unidos cresceram 31,9%. Já as vendas para a Europa tiveram um aumento de 51,9%, movimento impulsionado pelo fluxo de alimentos no contexto do acordo com o Mercosul. Por outro lado, as importações de bens de capital caíram 29,8%, refletindo uma desaceleração nos investimentos industriais devido ao patamar dos juros.
Projeções revisadas
Mesmo com o desempenho mensal robusto, o MDIC realizou um ajuste em suas estimativas para o fechamento de 2026. A projeção de superávit para o ano foi revisada de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. Embora inferior à expectativa anterior, esse número ainda projeta o segundo maior resultado anual desde o início da série, iniciada em 1989.
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, o Brasil soma um superávit de US$ 62,4 bilhões, um incremento de 34,8% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. Enquanto o governo mantém previsões mais otimistas, o mercado financeiro, por meio do boletim Focus, projeta um saldo menor para o encerramento deste ano, estimado em US$ 78,3 bilhões.

