Brasília (DF) – O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revisou a previsão para o superávit da balança comercial brasileira em 2026. A estimativa, que era de US$ 90 bilhões, passou para US$ 84,4 bilhões. O ajuste é reflexo direto da queda nos preços do petróleo no mercado externo, que impacta o valor das operações de compra e venda do produto pelo Brasil.
Impacto nos fluxos comerciais
Com a nova projeção, as exportações totais foram reduzidas de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões. Simultaneamente, a previsão para as importações baixou de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões. Mesmo com a revisão, os números indicam uma expectativa de expansão: as vendas externas devem crescer 9,8% em relação a 2025, enquanto a previsão para as compras indica uma alta de 6,4%.
O barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional, registrou volatilidade nos últimos meses. Após atingir a marca de US$ 138 em abril, sob efeito das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, o preço recuou para o patamar atual de US$ 100. Essa oscilação afeta o Brasil tanto nas exportações de petróleo bruto quanto na aquisição de derivados.
Desempenho em setembro
O saldo comercial em setembro atingiu US$ 7,74 bilhões, valor que supera em 146,4% o resultado do mesmo período em 2025. O desempenho foi impulsionado majoritariamente pelo petróleo, com vendas externas de US$ 6,49 bilhões — um salto de 77,3% na comparação anual. A média diária das exportações apresentou crescimento de 18,3%, mesmo com um dia útil a menos no mês.
Caso a meta de US$ 84,4 bilhões seja confirmada ao final de 2026, o resultado representará um aumento de 24% em relação ao superávit de 2025, que fechou em US$ 68,1 bilhões. O montante consolidaria o segundo maior saldo da série histórica, ficando atrás apenas do recorde de US$ 98,9 bilhões registrado em 2023.
Cenário consolidado
Esta é a segunda revisão oficial do MDIC para o ano. Inicialmente, a previsão era de US$ 72,1 bilhões, valor que havia sido elevado para US$ 90 bilhões em julho antes do recente corte. Para atingir a nova meta, o país precisa acumular um superávit próximo a US$ 22 bilhões no último trimestre de 2026, patamar semelhante ao observado nos mesmos meses de 2025.

