A Petrobras registrou a maior margem de lucro entre as principais empresas do setor de petróleo no mercado internacional durante o primeiro semestre de 2026. O desempenho, que coloca a companhia à frente de referências mundiais como Saudi Aramco, ExxonMobil e Chevron, foi detalhado em um levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
Eficiência financeira e operacional
A margem de lucro, indicador que reflete a eficiência de uma empresa ao converter receita em ganho efetivo após o pagamento de todas as despesas e tributos, alcançou 29,15% na Petrobras. Esse índice permitiu à estatal brasileira superar a Saudi Aramco, que registrou 25,48% no mesmo período. A comparação, que abrange resultados financeiros desde 2020, marca a primeira vez em que a petroleira nacional ocupa a primeira posição isolada neste ranking específico.
Além da margem percentual, a companhia também apresentou robustez no lucro líquido em valores nominais. Ao converter os resultados para a moeda americana, a Petrobras obteve US$ 16,6 bilhões no primeiro semestre, garantindo o terceiro lugar na lista global, ficando atrás apenas da Saudi Aramco, com US$ 65,4 bilhões, e da ExxonMobil, com US$ 18,7 bilhões.
Fatores que impulsionaram o recorde
O cenário favorável foi impulsionado pela combinação de três fatores principais: o aumento na produção, a valorização dos preços do petróleo no mercado internacional — intensificada por tensões geopolíticas no Oriente Médio — e o controle rigoroso sobre os gastos gerais. A estrutura integrada da Petrobras, que atua simultaneamente na extração e no refino do óleo, também foi apontada como um diferencial estratégico para manter a resiliência diante de oscilações globais.
Dados operacionais sustentam essa performance. No segundo trimestre de 2026, a Petrobras estabeleceu o maior volume produtivo de sua história, alcançando a marca de 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia. Deste total, cerca de 30%, ou 996 mil barris diários, foram destinados à exportação. Paralelamente, o sistema de refino da estatal atingiu recorde de utilização, com o Fator de Utilização (FUT) chegando a 101,2%, evidenciando a alta capacidade de processamento das refinarias instaladas no país.
O estudo, coordenado pelo economista Cloviomar Cararine, considerou as informações financeiras reportadas pelas próprias corporações. A lista de acompanhamento incluiu, além das líderes citadas, petroleiras como BP, Equinor, Shell e TotalEnergies, que apresentaram margens inferiores a 15% no semestre avaliado. O levantamento excluiu, por questões metodológicas, as companhias de controle chinês.

