As exportações brasileiras de carne de aves e mel para o mercado da União Europeia estão prestes a ser normalizadas. A sinalização favorável foi transmitida nesta quarta-feira pelo comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, durante conversas com representantes do governo brasileiro em Milwaukee, nos Estados Unidos, à margem de um encontro ministerial do G20.
Avaliação positiva de sistema
A perspectiva de retomada baseia-se no resultado de uma auditoria recente realizada em território brasileiro. A Comissão Europeia classificou como satisfatório o atual sistema de controle nas cadeias produtivas de aves e mel. Os técnicos europeus confirmaram que o Brasil possui mecanismos eficazes para impedir o uso de antimicrobianos com o objetivo de acelerar o crescimento animal ou elevar a produtividade, prática vetada pelas normas do bloco.
A decisão final sobre o restabelecimento das vendas depende agora de uma deliberação do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações, agendada para os dias 20 e 21 de outubro. O Ministério da Agricultura solicitou a inclusão do relatório da auditoria na pauta desse colegiado para acelerar o processo.
Desafios no setor de carne bovina
Enquanto o cenário para aves e mel avança, a situação da carne bovina permanece complexa. O governo brasileiro busca um procedimento similar para a proteína bovina, mas enfrenta exigências rigorosas que dificultam uma liberação imediata. A União Europeia exige o acompanhamento integral de todo o ciclo de vida do animal, desde o nascimento até o abate, um processo de rastreabilidade que pode demandar até dois anos de adequação técnica.
Contexto das restrições
A suspensão das importações começou em 3 de setembro, após o bloco retirar o Brasil da lista de países em conformidade com as regras sobre o uso de determinados antimicrobianos na produção pecuária. A restrição afetou diversos itens de origem animal, incluindo carne suína, pescados e ovos.
Além das proteínas, as autoridades presentes em Milwaukee trataram das limitações impostas pela União Europeia à entrada de aço brasileiro. O bloco europeu está conduzindo uma revisão na distribuição de cotas para produtos siderúrgicos, o que pode ampliar o espaço para o aço nacional, ainda que medidas mais concretas sejam esperadas apenas para 2027.

