O mercado financeiro brasileiro demonstrou resiliência nesta última semana de outubro, com o dólar registrando queda significativa e a Bolsa de Valores de São Paulo avançando, mesmo diante da escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Apesar da volatilidade, o dólar estadunidense perdeu força no Brasil na sexta-feira (27), cotado a R$ 5,241, uma baixa de R$ 0,014 (-0,28%). Essa desvalorização local ocorreu mesmo enquanto a moeda se fortalecia em mercados internacionais.
Durante a sessão de sexta, a divisa oscilou entre R$ 5,21 e R$ 5,27, refletindo ajustes técnicos e um fluxo de entrada de recursos no país. No acumulado da semana, a moeda teve uma queda de 1,27% frente ao real.
Ainda assim, o dólar mantém uma valorização de 2,10% no mês. O desempenho da moeda brasileira superou o de outras divisas de economias emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano, sinalizando uma relativa estabilidade.
Um alívio parcial veio com sinalizações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de adiar ações militares contra o Irã, embora a confirmação de um cessar-fogo não tenha ocorrido.
O Banco Central (BC) não precisou intervir no mercado de câmbio na sexta-feira para conter a valorização do dólar. Contudo, na terça-feira (24) e na quinta-feira (26), a autoridade monetária injetou US$ 2 bilhões, vendendo dólares das reservas internacionais com o compromisso de recomprá-los meses depois.
Mercado de ações
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, fechou a sexta-feira em queda de 0,64%, atingindo 181.557 pontos, alinhado ao desempenho negativo das bolsas em Nova York. No entanto, o índice encerrou a semana com uma valorização de 3,03%, interrompendo uma sequência de perdas.
Essa recuperação semanal foi influenciada por uma piora no cenário externo, com quedas nos principais índices econômicos dos Estados Unidos e o aumento das incertezas sobre os impactos da guerra na economia global.
A valorização do petróleo beneficiou as ações do setor de energia, especialmente das petroleiras. Por outro lado, bancos e empresas ligadas ao consumo registraram perdas ao longo da semana.
Petróleo
Os preços do petróleo avançaram mais de 3% na sexta-feira, impulsionados pela falta de avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O barril do tipo Brent, referência global, encerrou o dia em US$ 105,32, com alta de 3,37%.
Esse movimento reflete temores de restrição na oferta, especialmente diante das tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, uma rota estratégica crucial para o comércio global de petróleo.
Apesar da alta no dia, o Brent acumulou uma perda de 0,58% na semana, em meio à volatilidade provocada por declarações contraditórias sobre um possível cessar-fogo, conforme informações da Reuters.



