Brasília (DF) – A Operação Rede Interrompida, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nesta terça-feira (4), desarticulou uma rede de extremistas que tramava ações violentas contra órgãos estratégicos da capital federal. O esquema, monitorado desde junho pelo Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP), incluía planos para invasões na Esplanada dos Ministérios, depredação da sede do Supremo Tribunal Federal (STF) e ataques com explosivos durante debates eleitorais.
Integração entre estados
A ofensiva contra os suspeitos contou com a cooperação de polícias estaduais em cinco unidades da federação: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Nessas localidades, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão. Conforme o delegado-geral da PCDF, José Werick de Carvalho, o foco da ação foi impedir o avanço de processos de radicalização e antecipar qualquer dano ao patrimônio público ou à segurança dos cidadãos e das autoridades.
Durante as diligências, as autoridades localizaram manuais técnicos destinados à fabricação de explosivos, além de mapas detalhados da região central de Brasília e a planta baixa do Palácio do Planalto. O material confirma que os locais eram tratados como alvos prioritários pelos integrantes do grupo, que se articulavam exclusivamente por meio de grupos abertos na plataforma Telegram.
Perfil dos investigados
Os envolvidos possuem entre 19 e 31 anos, com maior concentração na faixa etária entre 19 e 25 anos. Segundo o delegado Maurílio Coelho, coordenador de inteligência da PCDF, nenhum dos suspeitos possuía passagens anteriores pela polícia e eles não mantinham contato pessoal entre si, restringindo a interação ao ambiente virtual. Por estratégia de investigação, não houve solicitação de mandados de prisão neste momento inicial da apuração.
Discurso de ódio e monitoramento
Além da articulação de crimes contra o Estado, os grupos serviam de base para a propagação de conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos. A secretária Nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, classificou o combate a essas manifestações de ódio como um dos principais desafios para a segurança pública no país. A operação também foi citada como exemplo da eficiência da Estratégia Nacional Mulher Segura, que busca integrar esforços das polícias estaduais com o governo federal para prevenir violências e proteger grupos vulneráveis em todo o território nacional.

