Jackson Hole, Estados Unidos – O dólar comercial encerrou a última sexta-feira cotado a R$ 5,196, uma valorização de 0,62% no dia. A alta acompanhou o movimento da moeda estadunidense no mercado global, impulsionada pelo discurso de Kevin Warsh, integrante do Federal Reserve (Fed), durante o simpósio de Jackson Hole. O tom mais rigoroso do dirigente sobre o controle da inflação reforçou a percepção de que os juros nos Estados Unidos podem subir já no próximo mês.
Impacto na política monetária
A sinalização de Warsh provocou uma elevação nos rendimentos dos títulos do Tesouro estadunidense. O papel de dois anos, que reflete as expectativas imediatas para a política monetária, alcançou rendimento de 4,35%. Com a possibilidade de manutenção de juros mais altos nos Estados Unidos, investidores ajustam posições, o que fortaleceu o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, atingindo 99,668 pontos.
Cenário interno e bolsa de valores
No Brasil, o desempenho do mercado de trabalho também ocupou o centro das atenções. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontou a criação de 58.568 vagas formais em julho, número que ficou abaixo das previsões do mercado financeiro. A desaceleração na geração de empregos alimentou a expectativa de que o Banco Central brasileiro poderá reduzir a Taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, em 0,25 ponto percentual já na próxima reunião de setembro.
Apesar da pressão externa, o Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,30%, atingindo 175.664,62 pontos. O índice completou sua oitava sessão consecutiva de ganhos, acumulando uma valorização de 2,71% na semana e 9,02% no ano. A B3 registrou entrada líquida de recursos estrangeiros de R$ 1,3 bilhão nos últimos quatro pregões, embora o saldo mensal de agosto ainda apresente um déficit de R$ 18,7 bilhões.
Reação em Nova York
O mercado acionário estadunidense encerrou o dia em território negativo diante da postura restritiva do banco central local. O índice S&P 500 recuou 0,25%, para 7.711,73 pontos, enquanto o Dow Jones registrou leve queda de 0,02%. O setor de tecnologia foi o mais impactado, levando o Nasdaq a uma baixa de 0,52%. A valorização dos títulos públicos reduziu o apetite por ativos de risco, pressionando as principais bolsas de Nova York no fechamento da semana.

