Brasília (DF) – O desempenho das exportações brasileiras para os Estados Unidos em agosto foi sustentado pelo aumento dos preços dos produtos vendidos, neutralizando parcialmente os impactos das novas tarifas impostas pela administração de Donald Trump. O faturamento total somou US$ 3,190 bilhões no mês, o que representa um crescimento de 12,1% na comparação com o mesmo período de 2025.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a alta de 8,6% nos preços médios foi o fator determinante para o resultado positivo. Entre os itens que mais contribuíram para o saldo estão aeronaves, carne bovina, produtos siderúrgicos, celulose e café. É importante notar que bens como aeronaves e carne foram isentos das novas sobretaxas tarifárias aplicadas pelo governo estadunidense.
Impactos no volume e déficit comercial
Embora o valor financeiro tenha avançado, houve uma retração de 3,1% no volume de mercadorias enviadas aos Estados Unidos durante agosto. No acumulado de janeiro a agosto, a tendência de queda é mais acentuada, com recuos de 13,6% no volume e 9,7% na receita, totalizando US$ 24,105 bilhões. As importações de produtos estadunidenses também sofreram redução no ano, consolidando um déficit comercial bilateral de US$ 3,211 bilhões no período.
O MDIC estima que aproximadamente 20% do fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos tenha sido diretamente impactado pelas medidas protecionistas. Segundo especialistas da pasta, as incertezas geradas pelas tarifas contribuem para uma oscilação constante no fluxo de mercadorias, sendo prematuro avaliar possíveis mudanças definitivas nas rotas de exportação do país.
Crescimento das vendas para a União Europeia
Em contraste com a instabilidade no mercado norte-americano, as exportações brasileiras para a União Europeia registraram um salto de 46,4% em agosto, atingindo US$ 5,82 bilhões. Esse avanço foi acompanhado por um crescimento de 30,3% no volume embarcado, impulsionado por commodities como petróleo, cobre, soja e óleos combustíveis.
O desempenho reflete, além da competitividade do agronegócio e da indústria brasileira, os efeitos iniciais do acordo entre Mercosul e União Europeia. Fatores externos, como a demanda por energia provocada por conflitos no Oriente Médio e a procura por insumos tecnológicos na Europa, também influenciaram o resultado. O governo brasileiro ressalta que ainda está coletando dados detalhados para mensurar com precisão a contribuição direta do acordo comercial para esse crescimento.
No cenário global, a balança comercial brasileira encerrou agosto com um superávit de US$ 7,39 bilhões, uma expansão de 23,8% frente a 2025. No acumulado dos primeiros oito meses do ano, o país registra um saldo positivo de US$ 55,32 bilhões, mantendo uma trajetória de crescimento de 28,2% em comparação ao ano anterior.

