Brasília (DF) – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou deflação de 0,32% em agosto. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (11) pelo IBGE, indicam que este é o menor índice para o mês desde 2022. Com o resultado, a inflação acumulada nos últimos 12 meses fechou em 4,22%, mantendo-se dentro do intervalo estabelecido pela meta do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Impacto do Bônus de Itaipu
O principal fator de influência sobre o índice foi o grupo de Habitação, que registrou queda de 1,87%. Esse recuo foi impulsionado pelo Bônus de Itaipu, um desconto aplicado às faturas de energia elétrica em todo o país após a distribuição de saldo positivo da hidrelétrica estatal. De acordo com o IBGE, trata-se da deflação mais profunda para o setor de habitação em um mês de agosto desde o início do Plano Real, em 1994. Especialistas alertam, contudo, que o efeito é pontual e a tendência é de elevação nos custos de energia a partir de setembro.
Recuo nos preços de alimentos e transporte
O setor de Alimentação e bebidas, que possui o maior peso na cesta de consumo das famílias, registrou baixa de 0,34%. Esta foi a terceira queda consecutiva no grupo, com destaque para a redução nos preços de itens básicos, como batata-inglesa (-19,89%), cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%) e tomate (-10,94%).
No segmento de Transportes, a variação negativa de 0,86% foi ancorada principalmente pelo setor aéreo. As passagens de avião registraram queda de 13,17%, sendo o item de maior impacto negativo depois da conta de luz. Os combustíveis também contribuíram para o resultado, com reduções nos valores do etanol, diesel e gasolina. O transporte por aplicativo também registrou recuo de 4,57%, influenciado por ajustes metodológicos do IBGE em relação ao mês anterior.
Contexto econômico
O índice de agosto veio abaixo das estimativas de mercado, que, conforme o último Boletim Focus do Banco Central, projetava uma inflação de -0,23%. O chamado índice de difusão, que mede a disseminação do aumento de preços entre os itens pesquisados, atingiu 54%. Os serviços, que costumam reagir mais diretamente a oscilações na taxa Selic, subiram apenas 0,03%, enquanto os preços monitorados recuaram 1,26%. A meta de inflação, definida pelo CMN, permite um intervalo de tolerância que vai de 1,5% a 4,5% ao ano.

