O programa de governo de Romeu Zema para a Presidência da República estruturou-se em 15 pilares centrais que propõem mudanças estruturais no funcionamento do Estado brasileiro. O texto defende uma guinada na política externa, manifestando a intenção de retirar o país do BRICS e redirecionar as prioridades diplomáticas para a integração com a OCDE e a conversão do Mercosul em uma área de livre comércio. Paralelamente, o plano foca em uma diplomacia pragmática voltada ao fortalecimento de parcerias com os Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado transnacional.
No setor econômico, o candidato prega a privatização integral das empresas estatais e a venda de ativos imobiliários da União. O choque fiscal proposto visa controlar despesas obrigatórias, incluindo emendas parlamentares, e reduzir taxas de juros acompanhadas da diminuição de tributos sobre operações financeiras. Em termos de infraestrutura, busca-se destravar investimentos através da Lei Geral de Licenciamento Ambiental e da criação de um regime de tramitação prioritária para projetos estratégicos. Para o campo energético, o plano prevê a desverticalização da Petrobras e o estímulo à concorrência interna, além da reestruturação tarifária para reduzir os custos da conta de luz aos consumidores.
A política de segurança pública é tratada com severidade, propondo a classificação de facções criminosas como organizações terroristas e a construção de presídios de segurança máxima em áreas isoladas. O texto estabelece ainda a prisão preventiva obrigatória em casos de reincidência por três flagrantes, a redução da maioridade penal para 16 anos e o fim da progressão acelerada de penas. A estrutura de inteligência integraria Forças Armadas e polícias, enquanto as delegacias da mulher passariam a funcionar de forma ininterrupta.
Em relação à governança, o documento sugere a redução do número de ministérios, a unificação de carreiras públicas e a introdução de critérios de avaliação de desempenho, permitindo demissões por baixa produtividade. O combate a privilégios inclui a limitação do foro privilegiado, restrito apenas ao Presidente, e medidas restritivas ao poder do STF. Zema propõe a criação de uma corregedoria para a corte e a proibição de que decisões monocráticas suspendam atos do Legislativo ou Executivo.
Para o mercado de trabalho, a proposta central é um regime alternativo à CLT que priorize acordos diretos entre empregador e empregado, com a extinção do monopólio sindical. O governo também planeja conceder às comunidades indígenas autonomia para a exploração econômica de suas terras, regulamentando atividades agropecuárias e turísticas.
Na educação, a estratégia foca na alfabetização na idade certa, na autorização do ensino domiciliar (homeschooling) e na ampliação das escolas cívico-militares. O Ministério da Educação concentraria esforços na educação básica, transferindo o ensino superior para a pasta de Ciência e Tecnologia. Complementarmente, o setor de saúde seria modernizado via prontuário eletrônico nacional e telemedicina, com a compra de capacidade ociosa de hospitais privados para eliminar filas de espera.
O agronegócio ganha atenção com a promessa de facilitar a produção nacional de fertilizantes e a emissão ágil de títulos de propriedade, além de permitir o porte de armas em propriedades rurais. Por fim, a política ambiental pretende atuar contra o desmatamento ilegal por meio de satélites e criar um mercado de créditos de carbono, mantendo uma visão voltada ao desenvolvimento econômico aliado à conservação.

