São Paulo (SP) – O mercado financeiro viveu um dia de forte instabilidade nesta quinta-feira (24), com o dólar comercial encerrando a sessão cotado a R$ 5,193, um aumento de 0,47%. A moeda norte-americana chegou a ser negociada por R$ 5,202 durante a tarde, atingindo o patamar mais elevado desde o final de agosto. No acumulado do ano, contudo, o câmbio ainda registra uma queda de 5,39%.
A valorização da moeda estrangeira responde diretamente ao cenário externo. O rendimento dos títulos públicos dos Estados Unidos, os Treasuries de dez anos, superou a marca de 5% ao ano pela primeira vez desde 2007, atingindo 5,2209%. Esse movimento ocorre devido às incertezas sobre a trajetória inflacionária e à expectativa de que o Federal Reserve mantenha os juros em níveis restritivos, o que atrai capital para ativos considerados mais seguros e retira recursos de países emergentes como o Brasil.
Intervenção do Banco Central
Para conter a volatilidade no mercado de câmbio, o Banco Central realizou dois leilões de linha simultâneos, injetando US$ 1 bilhão para aumentar a liquidez e a oferta de moeda. A autoridade monetária monitora de perto o fluxo cambial, que apresentou déficit de US$ 7,078 bilhões até o dia 18 de setembro. Paralelamente, a instituição ajustou suas expectativas econômicas, revisando o crescimento do PIB para 2026 de 2% para 1,8%.
O Ibovespa também sentiu o impacto do mau humor global, fechando com queda de 0,99%, aos 183.965,91 pontos. Além da influência dos juros americanos, o ambiente doméstico pesou sobre o índice. O governo federal revisou projeções fiscais e elevou a previsão do déficit efetivo para 2026 a R$ 80,9 bilhões, mesmo reduzindo a meta de contingenciamento de gastos de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões.
Impacto das Commodities
Outro fator determinante para o dia foi a escalada dos preços do petróleo, impulsionada por tensões envolvendo os Estados Unidos e o Irã, que geraram preocupações sobre a segurança no Estreito de Ormuz. O barril do tipo Brent subiu 3,41%, alcançando US$ 106,60, enquanto o WTI avançou 2,65%, para US$ 94,61.
A alta na cotação do petróleo reforça os temores inflacionários globais, pressionando as expectativas sobre a política monetária em diversas economias. Investidores seguem atentos a possíveis desdobramentos diplomáticos que poderiam amenizar o cenário de incerteza, além de observar o desenrolar das pesquisas eleitorais no país, que também têm ocupado espaço no radar do mercado financeiro brasileiro.

