O mercado financeiro brasileiro enfrentou forte volatilidade na última segunda-feira (28), resultando na disparada da moeda americana para o maior nível em quase seis meses e na quarta queda consecutiva da principal carteira de ações do país.
A escalada global das taxas de juros nos Estados Unidos pautou o comportamento dos investidores. O rendimento dos títulos públicos norte-americanos de dez anos subiu para 5,2319%, atraindo recursos financeiros para a maior economia do mundo e esvaziando investimentos em mercados emergentes como o Brasil.
Diante desse movimento de retirada de capital, a divisa comercial encerrou o dia cotada a R$ 5,226, o que representa um avanço de 0,83%. Trata-se do valor de fechamento mais elevado registrado desde o fim de março, refletindo a desvalorização cambial generalizada frente a moedas de nações em desenvolvimento.
Internamente, as transações correntes nacionais registraram saldo negativo de US$ 5,055 bilhões em agosto. Por outro lado, os investimentos estrangeiros diretos na produção totalizaram US$ 7,396 bilhões no mesmo período.
No ambiente político, o monitoramento das pesquisas para a corrida presidencial seguiu no centro das atenções dos investidores, embora os novos levantamentos indicassem a manutenção de um cenário polarizado e estável na disputa pelo Palácio do Planalto.
O relatório de expectativas de mercado manteve a projeção cambial em R$ 5,20 para o fim do ano. No entanto, as estimativas de inflação subiram para 4,99% em 2026 e 4,31% para o ano seguinte.
Desempenho negativo na Bolsa de Valores
Pressionado pelo cenário externo adverso e pelo recuo dos índices acionários em Nova York, o Ibovespa registrou recuo de 0,26%, fixando-se em 182.991,13 pontos. Apesar do quarto dia seguido de perdas no pregão, o indicador ainda acumula saldo positivo superior a 3% no mês e de 13,57% ao longo do ano.
A desvalorização da Bolsa nacional só não foi mais acentuada graças ao desempenho positivo de empresas ligadas ao refino e extração de combustíveis fósseis. A alta das commodities energéticas serviu de suporte para as principais companhias do setor, minimizando perdas no índice geral.
Tensões geopolíticas e o mercado de petróleo
Os contratos futuros do óleo bruto registraram ganhos moderados influenciados por impasses diplomáticos envolvendo Washington e Teerã, além de gargalos logísticos no Estreito de Ormuz. O barril do tipo Brent, baliza para transações globais, subiu para US$ 97,83, enquanto a variedade WTI avançou para US$ 92,60.
A volatilidade de preços acabou contida pela retomada das operações de um importante oleoduto da Arábia Saudita, que restabeleceu o fluxo diário de 3,5 milhões de barris. O escoamento do produto foi normalizado a partir do porto de Yanbu, trazendo algum alívio à oferta global de energia.

