Brasília (DF) – O Poder Executivo regulamentou nesta segunda-feira (24) a adoção de plataformas de comércio eletrônico voltadas à aquisição de bens e serviços comuns pelo setor público. A medida foi formalizada via decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabelecendo o Sistema de Compras Expressas (SICX) como o novo mecanismo para desburocratizar a rotina de contratações do Estado.
O propósito central do SICX é permitir que fornecedores utilizem estruturas digitais que já integram suas rotinas comerciais para negociar com o governo. A expectativa da União é aproveitar tecnologias já consolidadas no mercado privado para encurtar prazos, reduzir gastos operacionais e simplificar a participação de empresas interessadas em vender para a administração pública.
Gestão de fornecedores
Para otimizar o processo, o novo sistema contará com o Registro Cadastral Unificado (RCU), que prevê o credenciamento digital permanente dos parceiros comerciais. A ferramenta visa eliminar a necessidade de apresentação recorrente de documentos em cada nova licitação ou contratação, com previsão de lançamento para o último trimestre de 2026. A iniciativa está alinhada à Estratégia Nacional de Contratações Públicas para o Desenvolvimento Sustentável (ENCP).
Acesso para microempreendedores
Além da criação do SICX, o governo anunciou a ampliação do alcance da plataforma Contrata+Brasil. O programa, que conecta Microempreendedores Individuais (MEIs) a órgãos públicos para a prestação de pequenos serviços, passou a contar com a adesão formal de estatais e autarquias de peso, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Correios, Petrobras e INSS. Esses nomes se somam aos ministérios da Saúde, da Educação e da Defesa, que já utilizavam o sistema.
Atualmente, o Contrata+Brasil abrange 272 atividades econômicas. Uma das novas frentes de expansão é a integração dos recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que atende cerca de 109 mil colégios públicos em todo o território nacional. A ideia é converter essas unidades em polos de demanda para os pequenos negócios locais.
Potencial de inclusão
O cenário atual indica um grande espaço para crescimento. Embora o país conte com 13,7 milhões de MEIs ativos, a presença desse segmento nas contratações públicas ainda é limitada. Dados do Sebrae apontam que, apesar de mais da metade dos empreendedores (51,6%) manifestar interesse em fornecer para o governo, menos de 14% de fato já realizaram transações com órgãos públicos.
Para participar, o microempreendedor deve acessar a plataforma pelo portal do Contrata+Brasil utilizando a conta Gov.br. Após completar o cadastro com os serviços oferecidos, é possível buscar oportunidades por região e enviar propostas de preço e prazo. Caso seja selecionado, o prestador pode ser contratado diretamente pela instituição pública, dispensando editais complexos.

