Brasília (DF) – O governo federal incluiu no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 um aporte de R$ 6 bilhões destinado aos Correios. A reserva orçamentária é uma resposta direta às condições estabelecidas em um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões, firmado pela estatal com cinco instituições financeiras no final de 2025 para viabilizar seu plano de reestruturação.
A operação de crédito conta com a garantia do Tesouro Nacional. Caso os Correios não cumpram as cláusulas de reequilíbrio financeiro ou o governo falhe em realizar o aporte, os bancos credores — Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander — podem exigir o vencimento antecipado de toda a dívida. Nesse cenário, a União seria obrigada a honrar o pagamento integral do montante aos bancos.
Desempenho financeiro
O anúncio ocorre em um momento de fragilidade nas contas da estatal. No primeiro semestre de 2026, a empresa acumulou um prejuízo líquido de R$ 5,5 bilhões, volume 30,4% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior. Apenas no segundo trimestre, o resultado negativo foi de R$ 2,4 bilhões, impulsionado pela queda na receita do segmento internacional e pelo aumento dos custos operacionais e passivos judiciais.
Apesar do déficit, a gestão da estatal aponta sinais de ajuste operacional. Os gastos com pessoal caíram 4,2% no semestre, impulsionados pela saída de 6.545 empregados via Programa de Demissão Voluntária (PDV). Além disso, a empresa conseguiu reduzir despesas em R$ 233,7 milhões e quitar antecipadamente R$ 1,8 bilhão em dívidas bancárias, eliminando obrigações de curto prazo.
Medidas de reestruturação
A crise financeira da companhia tem forçado uma revisão profunda de suas operações. O plano de reestruturação em curso inclui a venda de imóveis considerados ociosos, a renegociação de contratos, o retorno ao regime de trabalho presencial e a criação de um marketplace próprio para diversificar as receitas. O Ebitda registrado no semestre, de R$ 910 milhões, superou em 18% a previsão inicial, o que o governo interpreta como um avanço na recuperação operacional.
Atualmente, a estatal também negocia uma nova operação de crédito, estimada em R$ 7 bilhões, que também contaria com o aval do governo federal. As discussões com o mercado financeiro estariam em fase avançada, segundo informou a companhia. O TCU (Tribunal de Contas da União) monitora o caso e, em maio, reforçou a obrigatoriedade de que o governo execute as medidas de aporte financeiro dentro dos prazos pactuados para evitar riscos maiores ao erário público.

