Brasília (DF) – O mercado de trabalho brasileiro registrou, no trimestre encerrado em julho, a taxa de desemprego mais baixa desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, iniciada em 2012. O índice ficou em 5,3%, um recuo frente aos 5,8% registrados no período imediatamente anterior e aos 5,6% observados no mesmo intervalo de 2024.
Recorde de ocupação e mercado formal
Com esse desempenho, o Brasil alcançou a marca de 103,3 milhões de pessoas ocupadas, um patamar inédito desde o começo do levantamento. O setor formal também apresentou números robustos, com 39,4 milhões de trabalhadores possuindo carteira assinada, o que representa o maior volume já contabilizado pela pesquisa oficial para o segmento de empregados no setor privado, excluindo os trabalhadores domésticos.
O avanço das contratações foi impulsionado, principalmente, pela construção civil. Analistas do setor indicam que a maior parte das novas vagas surgiu entre pedreiros e profissionais que atuam na base de construção de edificações. Além disso, o agrupamento de transporte, armazenagem e correio, área que engloba os profissionais de entregas por aplicativos, registrou um crescimento de 5,4% na ocupação na comparação com o ano anterior.
Mudanças tecnológicas e informalidade
A incorporação de ferramentas digitais tem transformado o acesso ao emprego. A facilidade proporcionada pela combinação entre aparelhos celulares e meios de transporte, como bicicletas, permitiu a inserção de novos trabalhadores no mercado, ampliando a oferta de serviços. Paralelamente, o contingente de desocupados no país caiu para 5,8 milhões, uma redução de 8% em relação ao trimestre encerrado em abril.
No entanto, o cenário de informalidade ainda é um ponto de atenção. A taxa de trabalhadores informais — que abrange autônomos e empregadores sem CNPJ, além daqueles sem registro em carteira — subiu para 37,5%. Esse grupo permanece sem garantias trabalhistas fundamentais, como o seguro-desemprego, o 13º salário e o período de férias remuneradas.
Renda e desalento
Quanto à remuneração, o rendimento médio real do trabalhador brasileiro ficou em R$ 3.762. Embora tenha apresentado uma variação negativa de 0,7% frente ao período anterior, o resultado é considerado estável pelo órgão de pesquisa. Outro indicador relevante foi a queda de 9,7% na população desalentada, que totaliza hoje 2,3 milhões de pessoas que desistiram da busca por uma vaga por descrença na obtenção de emprego.
A coleta de dados da PNAD Contínua envolve visitas regulares a 211 mil domicílios em todas as unidades da federação, avaliando o comportamento laboral de indivíduos com 14 anos ou mais. O dado de 5,3% coloca o mercado atual em uma posição próxima ao recorde de menor taxa da série, que foi de 5,1%, atingido no último trimestre de 2025.

