Washington, Estados Unidos – O mercado financeiro reagiu positivamente à decisão do Tesouro dos Estados Unidos de ampliar significativamente suas operações de recompra de títulos públicos de longo prazo. A iniciativa causou uma redução imediata na pressão sobre os rendimentos dos Treasuries, o que impulsionou o apetite de investidores por ativos de maior risco ao redor do mundo. Com esse cenário externo mais favorável, o dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,17, registrando uma queda de 0,86%.
Essa marca representa o primeiro fechamento da moeda estadunidense abaixo do patamar de R$ 5,20 após três sessões de alta consecutivas. Apesar da retração no pregão, a divisa ainda apresenta valorização acumulada de 1,83% na semana e de 2,09% no mês de agosto. O movimento de desvalorização do dólar foi observado globalmente, com o índice DXY registrando uma queda de 0,87% no fechamento da tarde.
Impacto no Ibovespa
Na bolsa brasileira, o Ibovespa encerrou o dia com alta de 0,90%, atingindo 167.830,27 pontos. O resultado interrompeu um ciclo de 11 quedas seguidas, que era o período de desvalorização mais extenso desde 2023. Durante a sessão, o índice chegou a superar a marca de 170 mil pontos antes de apresentar um leve recuo. O desempenho positivo foi sustentado principalmente por papéis de grande relevância, como os setores de mineração, petróleo e bancário.
A mudança de humor dos investidores seguiu o anúncio de que o governo dos Estados Unidos poderá dobrar o volume das recompras de títulos com vencimento entre 10 e 30 anos. A previsão é que, entre 9 de setembro e 4 de novembro, o volume de cada operação chegue a no mínimo US$ 4 bilhões, o dobro do montante praticado anteriormente. Essa estratégia visa estabilizar o mercado de renda fixa norte-americano e reduzir os juros de longo prazo.
Cenário doméstico e Fed
O mercado também repercutiu a divulgação da ata da reunião de julho do Federal Reserve (Fed). O documento indicou que, embora exista preocupação com a trajetória da inflação e disposição para eventuais altas de juros, o impacto do texto foi contido pelo alívio vindo do mercado de títulos públicos. A decisão do Tesouro dos EUA sobrepôs-se às discussões sobre a política monetária norte-americana naquele momento.
Mesmo com a melhora observada, analistas ressaltam que a bolsa brasileira segue sensível a variáveis internas. Fatores como o nível da taxa básica de juros e as incertezas políticas continuam influenciando a volatilidade local. A saída de capital estrangeiro também permanece como um ponto de atenção, com um saldo negativo acumulado de R$ 18,6 bilhões até o dia 17 de agosto.

