Rio de Janeiro (RJ) – O Monitor do PIB, realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, aponta que a economia brasileira registrou crescimento de 0,3% no segundo trimestre de 2026. O resultado confirma uma desaceleração da atividade econômica em relação aos primeiros três meses do ano, período em que a expansão havia sido de 1%.
Desempenho por setor
De acordo com o levantamento, a perda de ritmo foi disseminada pelos três principais pilares produtivos: agropecuária, indústria e serviços. O consumo das famílias foi o único segmento que manteve o ritmo observado no início de 2026, impulsionado pela procura por serviços e itens duráveis, com alta de 2,6% na comparação trimestral. No mesmo período, as exportações avançaram 4,5% e as importações registraram elevação de 5,7%.
Apesar da desaceleração, o período de abril a junho marcou a 20ª expansão consecutiva do indicador. A coordenadora da pesquisa, Juliana Trece, destaca que o cenário econômico permanece sob pressão devido a fatores internos e externos. Entre os obstáculos listados estão os juros elevados, o endividamento das famílias e a valorização do petróleo no mercado internacional, reflexo dos conflitos no Oriente Médio.
Taxa Selic e inflação
Para controlar a inflação, o Banco Central manteve a taxa Selic em patamares restritivos, embora tenha realizado um corte de 0,25 ponto percentual no início de agosto, fixando a taxa básica em 14% ao ano. O custo do crédito elevado atua como um desestímulo ao consumo e a novos investimentos, sendo apontado como um dos responsáveis pela moderação na atividade econômica.
O Monitor do PIB utiliza dados dessazonalizados de indústria, comércio, serviços e agropecuária para traçar o desempenho da economia. Em valores nominais, o Produto Interno Bruto acumulado no primeiro semestre de 2026 é estimado em R$ 6,557 trilhões. Em 12 meses, a alta acumulada é de 1,8%.
Projeções oficiais
Enquanto o mercado financeiro, por meio do relatório Focus, estima um crescimento de 1,98% para o fechamento do ano, o Ministério da Fazenda mantém uma projeção mais otimista, de 2,3%. O dado oficial sobre o comportamento do PIB no segundo trimestre será divulgado pelo IBGE no dia 1º de setembro.
O estudo da FGV é um dos termômetros do setor, assim como o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). O IBC-Br, também divulgado recentemente, sinalizou um recuo de 0,6% no mês de junho na comparação com maio, corroborando a tendência de arrefecimento da atividade industrial e comercial no encerramento do primeiro semestre.

