O Brasil atingiu a marca de 2 milhões de pessoas que prestam serviços por meio de aplicativos em 2025. O dado, apurado pelo IBGE, revela um perfil de ocupação marcado por jornadas exaustivas e alta dependência tecnológica, em um cenário onde 1,9% de todos os trabalhadores do país utilizam plataformas digitais para garantir o sustento.
Perfil e divisão das categorias
A maioria absoluta, composta por 1,2 milhão de pessoas, atua no transporte de passageiros, como motoristas de aplicativos e táxis. O setor de entregas de alimentos e produtos reúne 376 mil trabalhadores, enquanto 313 mil se dedicam a serviços profissionais ou gerais, que variam de design a telemedicina. Em áreas específicas como transporte, armazenagem e correios, a predominância das plataformas é absoluta: três em cada quatro ocupados dependem dos apps para exercer a atividade.
Ao analisar a evolução do setor, o instituto observou um crescimento expressivo. O número de pessoas que utilizam plataformas como ocupação principal saltou de 1,3 milhão em 2022 para 1,8 milhão em 2025, um avanço de 36,8% no período.
Desigualdade na remuneração
Apesar de o rendimento médio mensal dos plataformizados ser de R$ 3.147, praticamente igual ao dos trabalhadores tradicionais, a disparidade surge na comparação por hora. Devido a uma jornada semanal média de 44,7 horas, frente às 39,3 horas de quem não atua por apps, o ganho por hora dos motoristas e entregadores é 12% menor. O valor recebido de R$ 16,2 por hora reflete o saldo após o desconto de custos operacionais, como combustível.
Informalidade e dependência
A ausência de garantias trabalhistas é um traço marcante. Enquanto a informalidade atinge 42,7% dos trabalhadores convencionais, entre os plataformizados esse índice sobe para 72,1%. Apenas um terço da categoria possui cobertura previdenciária, o que deixa a maioria sem amparo em casos de acidentes, doenças ou aposentadoria.
Embora 86,8% dos plataformizados se declarem trabalhadores por conta própria, o IBGE destaca a fragilidade dessa autonomia. O controle sobre os pagamentos, os prazos de entrega e a definição das tarefas permanece sob domínio exclusivo das plataformas. Para quase 80% dos motoristas e entregadores, não há negociação possível, configurando uma dependência que difere do autônomo tradicional.
Contexto jurídico
O levantamento ganha peso em um momento de indefinição jurídica sobre o vínculo empregatício. O STF mantém em análise a validade da relação de trabalho entre esses profissionais e as empresas. Enquanto categorias buscam o reconhecimento de direitos previstos na CLT para combater a precarização, as plataformas e a Procuradoria-Geral da República defendem a manutenção do modelo atual, sem a existência de vínculo formal.

