Brasília (DF) – O Brasil oficializou, nesta quinta-feira (27), um memorando de entendimento com a Índia visando fortalecer os laços comerciais e atrair novos investimentos. O documento foi assinado pela ApexBrasil em conjunto com a Confederação das Indústrias Indianas, estabelecendo uma diretriz voltada para o intercâmbio de dados de mercado, fomento à internacionalização de pequenas e médias empresas e organização de eventos voltados ao setor empresarial.
Embora não possua caráter vinculante, a iniciativa cria uma estrutura institucional para facilitar negócios e projetos conjuntos. A meta estabelecida pelos governos é elevar o comércio entre as duas nações para US$ 20 bilhões até 2030. No ano passado, o fluxo comercial alcançou US$ 15,2 bilhões, impulsionado por exportações brasileiras que somaram quase US$ 7 bilhões, o maior volume registrado nas últimas duas décadas.
Setores estratégicos e novas diretrizes
A cooperação prioriza setores vitais para a economia, como a indústria farmacêutica, bioenergia, biocombustíveis, fertilizantes e dispositivos médicos. Além disso, o governo federal mantém interesse em parcerias para a exploração de minerais críticos, desde que as operações estejam integradas ao desenvolvimento tecnológico nacional. Atualmente, a ApexBrasil já identificou 378 oportunidades de exportação para produtos brasileiros no mercado indiano, com um crescimento acumulado de 82% na relação comercial recente.
A estratégia de diversificação de parceiros é uma resposta do governo federal ao cenário internacional. Além da aproximação com o país asiático, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços busca ampliar o acordo de preferências tarifárias entre o Mercosul e a Índia, que hoje abrange 450 linhas de produtos.
Diálogo com os Estados Unidos
Simultaneamente, o Executivo articula a retomada de negociações com o governo estadunidense. Na próxima segunda-feira (31), o ministro Márcio Elias Rosa, acompanhado pelo chanceler Mauro Vieira, participará de uma reunião virtual com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos. O encontro tem como foco central a revisão das sobretaxas impostas por Washington a produtos brasileiros.
O diálogo foi viabilizado após contato direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump. Segundo o Ministério, a pauta incluirá a análise de listas de exceções tarifárias e a aplicação da Lei de Reciprocidade. O governo reafirma que a prioridade é a defesa dos interesses da economia nacional, mantendo o programa Brasil Soberano como medida de suporte aos setores afetados pelo protecionismo norte-americano. A expectativa é que, apesar da complexidade das tratativas, o Brasil mantenha uma postura firme em prol de condições equilibradas de comércio.

