Brasília (DF) – O número de empreendedores com registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) alcançou o patamar de 35% em 2025, o maior índice já contabilizado pelo IBGE desde o início da série histórica em 2012. Ao todo, 10,7 milhões de trabalhadores do segmento de conta própria ou empregadores já operam de forma formal no mercado nacional.
A pesquisa aponta que, entre os 103 milhões de brasileiros ocupados, 30,6 milhões exercem atividades empreendedoras. Embora o registro tenha crescido, cerca de 20 milhões desses profissionais ainda atuam sem CNPJ. Entre os empregadores que mantêm pelo menos um funcionário, a formalização é consolidada, atingindo 81,1% do grupo, nível mantido com estabilidade nos últimos anos.
Impacto da escolaridade e políticas de desburocratização
A taxa de adesão ao CNPJ apresenta forte correlação com o nível de instrução dos trabalhadores. Pela primeira vez na série histórica, mais da metade dos profissionais autônomos com ensino superior completo possuem registro formal, chegando a 50,8%. Em contrapartida, os índices caem para 11% entre trabalhadores com ensino fundamental incompleto ou sem escolaridade.
Especialistas atribuem o avanço da formalização a programas governamentais como o Microempreendedor Individual (MEI), que simplificou o acesso a benefícios previdenciários e facilitou a emissão de notas fiscais e a contratação de serviços bancários. O setor de comércio e reparação de veículos lidera a taxa de formalização, com 36,7%, seguido pelo setor de serviços, com 33,5%.
Tendências em cooperativismo e sindicalização
Enquanto a formalização cresce, a participação em cooperativas segue trajetória de queda, passando de 6,3% em 2012 para 4,7% em 2025. No âmbito sindical, o cenário é de estabilidade, com 8,8% dos trabalhadores ocupados associados, totalizando 9,1 milhões de pessoas. Esse patamar reflete uma mudança estrutural iniciada após a reforma trabalhista de 2017, que extinguiu a contribuição sindical obrigatória.
O cenário atual indica uma dificuldade de renovação nas entidades sindicais. A análise dos dados revela que jovens demonstram baixa adesão à sindicalização, enquanto profissionais com mais de 40 anos têm deixado os sindicatos. A hipótese central para esse comportamento é uma percepção de inadequação dos serviços oferecidos em relação às demandas atuais do mercado de trabalho.
