Brasília (DF) – O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) alcançou R$ 9,28 trilhões em julho, um avanço de 0,22% frente aos R$ 9,26 trilhões registrados no mês anterior. O crescimento do endividamento foi impulsionado pela apropriação de juros, que somou R$ 89,95 bilhões no período, contrabalançando o volume de resgates de títulos realizados pelo Tesouro Nacional.
A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) subiu 0,31% e chegou a R$ 8,94 trilhões. O Tesouro registrou um resgate líquido de R$ 61,91 bilhões em títulos, movimento influenciado pela concentração de vencimentos de papéis prefixados. Em contrapartida, a fatia da dívida externa apresentou recuo de 2,12%, fechando julho em R$ 340,06 bilhões, movimento favorecido pela desvalorização de 1,92% da moeda americana no mês.
Reservas e composição
O colchão de liquidez, reserva financeira estratégica utilizada para períodos de instabilidade, manteve-se em R$ 1,34 trilhão, atingindo o maior patamar desde o início da série histórica em 2015. Esse montante garante a cobertura de 7,81 meses de vencimentos da dívida, sendo que a previsão para os próximos 12 meses é de R$ 1,76 trilhão em vencimentos de títulos federais.
Devido à conjuntura econômica, a composição dos papéis sofreu alterações. A participação dos títulos vinculados à Taxa SELIC subiu de 49,32% para 51,11%, refletindo a preferência dos investidores pelo cenário de juros altos. Já os prefixados diminuíram sua fatia de 21,04% para 19,22%, enquanto os títulos corrigidos pela inflação passaram para 26,02% do total.
Perfil dos investidores e prazos
O prazo médio para o refinanciamento da dívida apresentou leve aumento, passando de 4,01 para 4,05 anos, o que indica maior estabilidade na gestão dos compromissos. No que diz respeito à base de detentores da dívida interna, as instituições financeiras lideram com 31,35% do estoque, seguidas por fundos de pensão (22,73%) e fundos de investimentos (22,23%).
A participação de investidores não residentes, ou seja, estrangeiros, recuou de 9,95% para 9,82% em julho. O movimento foi atribuído à maior aversão ao risco no mercado financeiro global durante o mês, intensificada por tensões geopolíticas no Oriente Médio. Apesar do avanço mensal, o Tesouro Nacional reforçou que os números permanecem dentro das projeções estabelecidas no Plano Anual de Financiamento, que estima o estoque da DPF entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões até o final de 2026.

