São Paulo (SP) – O Grupo Gennius, responsável pela operação das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, oficializou um pedido de recuperação judicial para renegociar um passivo financeiro que atinge R$ 265,2 milhões. A solicitação foi protocolada na última segunda-feira (24) e recebeu autorização do Poder Judiciário de São Paulo na terça-feira (25).
O juiz Jomar Juarez Amorim, responsável pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista, designou a consultoria KPMG para atuar como administradora judicial do processo. A rede assegurou, por meio de comunicado oficial, que as atividades em todas as unidades seguem inalteradas, mantendo o atendimento ao público e a rotina operacional.
Motivos do desequilíbrio financeiro
No documento enviado à Justiça, a empresa listou uma série de fatores que levaram à crise atual. O grupo aponta que os impactos residuais da pandemia de COVID-19, somados às mudanças no perfil de consumo devido à expansão acelerada dos aplicativos de entrega, prejudicaram o movimento em pontos físicos, como shoppings e centros urbanos. Além disso, o encarecimento do crédito, impulsionado pela alta da Selic, elevou o custo das dívidas e restringiu o capital de giro necessário para o funcionamento diário.
A estrutura de recuperação judicial abrange 178 entidades jurídicas diferentes. Este conjunto inclui 119 lojas próprias do Habib’s, 26 unidades do Ragazzo, seis churrascarias Tendall Grill, além de 17 sociedades operacionais e dez empresas voltadas a holdings e franqueadoras.
Composição das pendências e prazos
Do montante total da dívida declarada, R$ 22,3 milhões referem-se a débitos trabalhistas. A maior parcela, contudo, corresponde a créditos quirografários, que somam R$ 241,7 milhões. Trata-se de valores de obrigações financeiras que não possuem garantias reais, como hipotecas ou alienações fiduciárias.
Embora a Justiça tenha suspendido temporariamente ações e execuções movidas por credores contra o grupo, o pedido para a liberação de recebíveis bancários — utilizados como garantia em contratos — foi negado. Agora, a KPMG possui o prazo de 15 dias para entregar um relatório detalhado sobre a real situação financeira do conglomerado.
O Grupo Gennius tem 60 dias para elaborar e apresentar um plano formal de reestruturação. Caso o prazo expire sem a entrega do documento, o processo corre o risco de ser convertido em falência. A estratégia de retomada desenhada pelo grupo inclui uma reorganização societária, a expansão do serviço de entrega e a abertura de novas unidades em regiões estratégicas.

